terça-feira, 16 de agosto de 2011

VAI POESIA?

Poema lindo do meu ermão e mestre Carlos Omar Villela Gomes!

Verso e Reverso de Uma Medalha de Guerra

Amadrinhando meu maninho André Bueno na Vacaria de 2008


Tremem minhas mãos neste momento, 
A voz que chama tem um timbre ácido... 
O espelho frente aos olhos refletindo as cores 
De uma bandeira linda que empunhei sem medo. 

Não escuto nada, alem desses trovões de guerra 
E tambores surdos ritmando os passos... 
Cavalhadas loucas num lançante abaixo 
E escaramuças plenas de paixão e terra. 

Quais ferimentos me castigam mais? 
Do corpo, da alma, da lembrança? 
Não sei dizer o que me encurrala... 
Os talhos feios que guardei no couro 
Ou os tormentos que inscrevi na alma. 

De tudo isso, me restou um dote, 
Uma honraria, por haver peleado... 
Dos tantos golpes de uma adaga fria 
O grande prêmio se mostrou um dia 
Numa medalha de metal dourado. 

Honra ao mérito, está escrito na sua fronte... 
Honra ao mérito, frase tão singela... 
Honra ao mérito aos homens de coragem 
Que construíram pátria, que conquistaram sonhos, 
Desaguando historia pelos rios do tempo. 

Honra ao mérito, está escrito no metal... 
Lindo seria, não representasse golpes, 
Não sacrificasse vidas, não recompensasse feras... 
Fui um dos que lutaram, que sonharam, 
Que sofreram a dor mais aguda 
De fazer o certo da maneira errada. 

Lutar pra construir nações, 
Lutar pra defender ideais... 
Lutar pra garantir seu chão, 
Lutar pra encontrar a paz. 

Necessário talvez, mas tão tristonho... 
Que preço alto me cobrou a vida, 
Que jeito amargo de buscar um sonho. 

Honra ao mérito, está escrito na medalha... 

Terá honra em matar, mesmo de frente? 
Terão mérito o chumbo e a criolla 
Se os inimigos que enchemos de peçonha 
Fora os lenços de outra cor, são nossa gente? 

Honra ao mérito, no prêmio que rebrilha... 
Antes fosse conquistado com ternura... 
Honra ao mérito por saber semear doçura 
E não por sangue derramado nas guerrilhas. 

A medalha queima em minhas mãos cansadas 
Como se o peso de toda a historia recaísse em mim... 

Mas a esperança não chegou ao fim... 
Olho pra os lados, vejo coisas belas, 
Ginetes buenos com seus potros ágeis, 
Mocas risonhas a enfeitar janelas. 

E esta medalha, o que fazer com ela? 

Jogo a medalha rumo ao céu, e junto dela 
Todas as dores que me cortam fundo... 
Adeus às chagas que colhi no mundo, 
Adeus às sombras que me desesperam. 

Honra ao mérito, esperança remoçada! 
A mão de um anjo fez do meu lamento 
Mais uma estrela pela madrugada. 
Honra ao mérito, ecoa em meu destino, 
Buscando alento pra o perau malino 
De uma medalha de ilusão dourada!

Dicas e sugestões para poetaestressado@gmail.com

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